Vamos falar de história?
Precisamos compreender a história para entender o comportamento da nossa sociedade, mas lembre-se, relembrar a história não é justificar os comportamentos e atitudes machistas e nem usar esse contexto como muleta, muito pelo contrário, é buscar a raiz dos problemas e identificar onde precisamos mudar.
Embarque comigo nessa viagem?

O Período Colonial no Brasil durou de 1.530 até 1.822 que foi quando a coroa portuguesa chegou no nosso litoral, e teve fim com a Proclamação da Independência.
Durante esses quase 300 anos, a metrópole impôs as regras e
costumes para disciplinar a vida nas colônias. Durante essa época o Código Filipino ditou a justiça na colônia brasileira no século XVI ao XIX. Nessa época as sanções para mulheres eram especialmente severas: ao marido era outorgado o direito de matar a mulher em caso de adultério. Também podia matá-la por meramente suspeita de traição – bastava um boato. Como condenação previa-se um único caso de punição por desterro, quando o marido traído era um “peão” e o amante de sua mulher, uma “pessoa de maior qualidade”, hipótese em que o assino era condenado a três anos de desterro na África. Em termos de procedimentos, à mulher não era permitido falar ou contar sua versão dos fatos sobre a acusação de adultério. Não eram incomuns os assassinatos de filhas por seus pais simplesmente por suspeitas (na maioria das vezes infundadas) de desonra ou ainda de casos de mulheres maltratadas por maridos violentos, ou de filhas e esposas enviadas para os recolhimentos femininos à revelia.
Após a proclamação em 1822, o Brasil deixa de ser colônia de Portugal e passa a ter sua própria legislação. O primeiro Código Penal entrou em vigor em 1830 e revoga o direito do homem de matar a sua esposa. Mas lei passou a conceituar a legitima defesa de tal forma que na prática, acabou legitimando a continuidade dos assassinatos de mulheres consideradas infiéis. A legitima defesa da honra era autorizada sem nenhum parâmetro ou critério de proporcionalidade entre o bem lesionado e a resposta à lesão. A honra do marido, portanto, poderia sobrepor à própria vida das mulheres. (Trecho retirado do livro Lei Maria da Penha na Prática – Adriana Ramos de Mello – 3ª edição.)
Com todo esse contexto histórico, conseguimos enxergar desde quando o homem enxerga a mulher como algo inferior e como propriedade dele e não como ser humano em igualdade e direitos. Esse tipo de comportamento e ensinamentos foram e vão se repetindo dentro dos lares sem ser questionados, este é um dos motivos que ainda nos dias atuais nós presenciamos homens tratando suas esposas e filhas como se fossem posse deles.
O que podemos fazer para mudar essa realidade?
Precisamos despertar, tomar conhecimento desses assuntos, desse tipo de comportamento, precisamos saber quais são nossos direitos, onde e como pedir ajuda, precisamos educar nossas filhas sobre o que elas não podem e não devem aceitar e nem se submeter, falar sobre os direitos e deveres e tudo o que elas podem vir a ser. Também precisamos ensinar nossos filhos a respeitar proteger e cuidar das meninas e mulheres, a respeitar os espaços delas. E tudo isso só é possível quando tomamos conhecimento do assunto, muitas são as mulheres que estão vivendo em relacionamentos abusivos e não sabem, porque vivenciaram isso na infância e acreditam que esse tipo de comportamento é normal dentro dos lares.
A educação, a informação e o conhecimento nos libertam de prisões que nem se quer sabíamos que estávamos presos.
Te convido a acompanhar os nossos perfis nas redes sociais e o no site para se manter informada sobre tudo o que está relacionado a violência doméstica.
Abraços
Daniela Ferreira

